O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) demonstrou
certa mágoa em relação ao
público presente à abertura dos Jogos Pan
Americanos, no Rio de Janeiro. Ao que tudo indica, Lula esperava ser
recebido com aplausos, flores e muitas loas. Tomou uma senhora vaia. E
não deixou por menos: embora diga que o fato não
mudará em nada a sua relação com o Rio
de Janeiro, o fato de ter comentado o assunto é uma
demonstração de que feridas ficaram.
Lula tem
de ser avisado que, a despeito das pesquisas de opinião, nem
sempre será recebido com festa. Ou será que o
presidente já se considera uma unanimidade e não
admite que discordem disso? É um mau sinal um presidente que
não sabe conviver com as vaias. O ressentimento de Lula
aponta um viés autoritário que não se
pode admitir em uma democracia. Pelo seu passado de luta em prol da
democratização do País, nem de longe
se imagina que Lula possa namorar com uma ditadura.
Seus
resmungos diante das vaias, porém, revelam que o presidente
está mal acostumado com os eternos elogios. Lula recorreu
à metáfora de uma festa que, embora tenha sido
convidado, os convidados não queriam a sua
presença. Tenha calma, presidente! Isso é fruto
do segundo mandato. Não
espere apenas elogios daqui para a frente. Tem muita gente de olho no
seu cargo que não relutarão em querer atingi-lo.
Vaias são normais em uma democracia. E, mesmo que pessoas
não quisessem sua presença ali, o senhor
não deveria se abalar. Como estadista que é,
bastaria ter aberto os jogos na boa!
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